Ser Arte (o)

9 maio

A obra continuava lá.

E ela, exacerbada quanto ao todo que ele havia passado, inconformada ante aos muitos tapas de repugno que assistira de camarote – e ainda assim ao seu lado –  os mestres (seriam hipócritas?) da vida lhe dar, lhe questionou, quase que em súplica:

– Eu tento. Me esforço em ver o que você vê, que tão pouca gente vê, que mais parece nem mesmo existir (e existira?)… Mas por mais que eu te ame; ainda que assine o testemunho de respaldo em seu favor, como a afiar o lado da adaga que não corta (não sabia ela, os dois lados da adaga o fazem) e te.. nos resguardar; por mais que eu caia em júbilos antes mesmo de você. Não é assim que o mundo gira. O mundo ceifa. Entendo-te – e a esta altura não sabia mais ela se nisto acreditava ou se para si mesma mentia – mas eles jamais te entenderão. Mas… Mas por que você não para?

E ele sem pestanejar, sem olhar para ela, sem olhar nem mais mesmo para a obra, como quem olha para o horizonte quando na verdade enxerga muito além deste, apenas respondeu:

– Porque é arte, mamãe.

Era arte. E tão real, que ela quase se sentia mesmo mãe dele.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: