Arquivo | dezembro, 2010

Wikileaks’n trending’s

20 dez

Os Estados Unidos pediram em março de 2008, um mês antes da última eleição presidencial paraguaia, informações detalhadas sobre os candidatos que incluíam “dados biométricos, impressões digitais, imagens faciais e dados para reconhecimento da íris, e dados “preventivos” de DNA; Representantes dos EUA e da Coreia do Sul discutiram a possibilidade de uma Coreia unificada
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Desde que foi lançado, o WikiLeaks vem trazendo esse tipo de polêmica à tona. Ficou cada vez mais frequente sua menção em sites de informação e portais. É a era das notícias sobre notícias. À partir de ontem, vamos nos acostumar a ver chamadas assim, surgindo cada vez mais. A era Wikileaks’n trending’s. Também não era para menos: O site leva o selo Wiki e fala mal do governo. Precisa de mais alguma coisa? Analisando críticamente, falar mal da vida dos outros sempre foi considerado uma arte; polêmica e fofoca geram o nivel de ibope que todo programa da tarde gostaria de ter… e agora é com o governo. Melhor ainda. Como é que só agora alguém teve a brilhante idéia de juntar polêmica e informação falando mal do governo com a interatividade 3.0 ? Não sei. Mas que a receita é sucesso garantido, isso é.  É, isso é.

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O rei Abdullah, da Arábia Saudita, repetidamente pediu aos EUA para atacar o Irãe destruir seu programa nuclear; O Irã obteve mísseis sofisticados da Coreia do Norte, capazes de atingir o leste europeu;  Países condenam WikiLeaks após revelação de infiltrações políticas dos EUA; China contrata hackers desde 2002;
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Sons da Madrugada

19 dez

Domava o ego que eclodia seu peito
Recordava momentos de solidão
Mirava a janela à procura de olhares
Fazia triste a melodia de seu violão.
Solos distantes, de poucos acordes,
Lavavam sua alma em duas metades.
Simétricas metades lançadas ao vento.

Re|evolução

17 dez

Era a tecnologia que acabara de chegar. Todos olhavam deslumbrados. Aquele artefato, ali, em meio a rua principal, era mais do que um simples objeto qualquer. Era um sinal de que as coisas estavam evoluindo. Trazia consigo esperança e contentamento, como se dissesse que a partir de agora tudo ficaria cada vez melhor. Ele parou pra pensar o quanto isso era incrível. Como que, de uma hora pra outra, novas coisas chegavam, como se tivessem brotado do nada. Não entendia muito desses assuntos. Ninguém falava com ele sobre isso. Mas que era incrível era. Parou pra pensar nas ruas e nas construções: como que, de uma hora pra outra, voltamos à um lugar e descobrimos que tudo já está diferente, que o que estava ali construído já não é mais da mesma forma. Era maravilhoso e ao mesmo tempo agoniante, saber que as grandes transformações aconteciam assim, de uma hora pra outra.  “Deve ser a ciência, que todos dizem, irá salvar o mundo”. E ele continuava sua trajetória. Tinha acabado de conseguir mais material para continuar a produção. Sentia-se feliz. Estava fazendo a sua parte: tudo que ele trazia seria transformado em algo útil, algo que melhoraria em muito a vida das pessoas. Ou o que ele entendia por vida.

Cité Soleil, Haiti.
Logo após o terremoto a maioria dos mortos foi
enterrada sem caixões, em valas comuns.
Fotógrafo: Leandro Prazeres.

Conter-se

16 dez

Tanta ira, tanta fúria. Tem hora que nos tira do sério. Como é que isso foi parar em mim? É quase como um tiro que nos acerta de repente e não conseguimos entender nem de que direção veio, quanto mais quem disparou. Uma bala perdida. Não há muito o que fazer, você já foi ferido e está prestes a ser mais ainda. Começa a pensar se seria melhor se proteger ou revidar. Bater ou correr? E que tal acabar com o tiroteio? Você já foi ferido… nada do que faça vai fazer o sangue parar de jorrar. É difícil, mas é o que é. A retaliação vai de cada um, todos iguais e tão desiguais, de igual forma desigual reagimos. Só que a culpa não é nem de quem nos feriu, mas sim de quem disparou o tiro, que veio como um raio de luz, refletido e repassado de espelho em espelho, como numa batata-quente, até que queime justamente em você. Mas o tiro não só fere: também faz barulho. Assusta. Tanto barulho por nada. Que no fim qualquer que for a nossa reação, gera isso, Nada. Ou pior; é como ter perdido três e ter que escolher entre ganhar zero ou perder mais ainda. Matemática injusta a das variáveis inconstantes. Que é o que todos somos, alguns mais frequentemente, outros tão raramente, mas que é o que todos somos. Inconstantes e prontos para explodir.

Personalisite do ano

15 dez

Olá, você é influente?

 

“Marck Zuckerberg, criador do Facebook, foi eleito pela revista Time como a personalidade do ano de 2010. A revista justificou a escolha destacando a maneira com que o site alterou a forma de as pessoas se relacionarem.”

 

Personalidade do ano. Algo como “pessoa mais influente”. Parece irônico para vocês? O Facebook foi criado em 2004, pelo mesmo Mark Zuckerberg, que naquele ano mal era conhecido pelos próprios alunos da Harvard. Problema resolvido: o site, que tinha como intuito gerar diversão entre os estudantes, logo se popularizou na universidade, o que fez Mark ser a “personalidade do ano”, daquele ano, em Harvard. Ponto. O mérito deveria ter parado por aí. O que vem depois todo mundo já sabe: seis anos se passaram e o Facebook virou a maior rede social do mundo, com mais de meio bilhão de pessoas. Todo crédito se deve a Mark, obviamente. Mas é que só agora, em pleno 2010, Mark ganha o premio de “personalidade do ano”. Que ano? Parece irônico para mim. Principalmente quando fui ler a matéria da Time e cansei de ler e reler “o site alterou nossa forma de pensar… o site modificou o tempo que vivemos de uma forma inusitada… as comunicações já não são as mesmas desde que, vejam bem, o site se popularizou[…]”. Alguém me pare se o conceito de personalidade não foi desmoralizado. Como quando lembramos da obra de Mary Shelley e percebemos que o maior horror na história de Frankenstein é não conseguir diferenciar se o monstro é a criatura ou o seu criador. E assim, Mark “ganha” o prêmio, que ainda não era dele, de personalidade do ano, não por ele, por sua criação, 6 anos após criá-la. Tudo isso porque a Time quer. Enquanto isso Lady Gaga faz sucesso e Liu Xiaobo continua preso, com um Nobel empoeirando…

Tchum-tchá ♪

15 dez

“Polícia do Rio prende funkeiros acusados de apologia ao tráfico.  Os funkeiros presos são conhecidos como McSmith, Tikão, Max e Frank. Com os funkeiros, foram apreendidos vários CDs, com funks conhecidos como “proibidões”. Eles serão autuados por formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas, incitação ao crime e apologia ao tráfico.”

Certo. Quem aí gosta de funk? Quem não gosta de chegar do trabalho, tirar o sapato, relaxar no sofá, dar uns cinco minutinhos, pôr a janta à mesa, reunir a família, fazer a oração e tocar um pancadão para relaxar? Nada mais mágico que a áurea de paz do funk carioca. As letras então? Tão mágico é interpretar suas entrelinhas e seus significados super elaborados, que ocultam a mensagem principal. Ok. Eu particularmente preferia quando o funk era idealizado por bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith no More, e a leveza de Claudinho e Buchecha, do que a batida do “pancadão carioca”. Não muda o fato de que “bota um funk aí e os zica já agita no baile”. Gostos à parte, que me lembre, desde a ditadura não vejo um “preso-músico”. E é isso mesmo que me lembra. Ditadura. Dizem que a situação faz o castigo. Pois é, lugar errado, hora errada? Talvez não. Mas se o Abin, vulgo Serviço Secreto Brasileiro, cuja principal função tem sido investigar crimes virtuais, desse uma varredura em computadores pessoais por aí, veríamos metade de nossos amigos serem autuados por formação de quadrilha. Agora ficou difícil fazer festas. Ficou difícil fazer um churrasco que for sem estar formando quadrilha. E é melhor eu terminar logo essa postagem e ir deletar todo e qualquer funk do meu computador. Vocês deveriam fazer o mesmo. E se algum de vocês acabarem sendo pêgos, lembrem-se, eu não tenho nada haver com isso!

É Funk, mas não deixa de ser cultura.
Toda forma de não-cultura é opressão.

Só uma chancezinha, vai?

15 dez

É uma chance que a gente tem mas nem sempre aproveita. Nem sabe se sabe aproveitar. O instante tal é uma chance única que surge repentinamente e que por deveras não aproveitamos. Melhor assim? Não sei… Dependendo da chance fica melhor o coloquial mesmo. Cada chance é diferente e cada uma delas exige diferente abordagem. O fato é que esperamos por ela: queremos algo em específico, sabemos o que queremos, como vamos agir, só falta que a chance venha. Muitas vezes é só uma conversa ou somente um encontro;  às vezes uma deixa apenas basta. Só falta que surja. Eis que surge. Às vezes demoramos pra perceber que surgiu. Outras, tão improvável achávamos que surgisse, que nos pegam desprevenidos. Toma forma o impasse Shakespeariano: será que é agora? Será que vai dar? Devo ou… pensamos muito, agimos pouco. Tão logo ela veio, tão logo se vai. Se esvai. E o que talvez fosse a tão única tal chance que esperávamos, se foi. E ainda nos perguntamos “por que só não acontece pra mim?”. Depois volta… ou não. Tem coisa na vida que não volta. Mas se você desperdiçou aquela grande chance que não volta mais, não se preocupe:  não é sempre que estamos em plena prontidão. E, de fato, muitos tem mais chances do que outros. Mas pensar nisso de anda adianta. Cabe mais pensar, sem arrependimentos: “o que estou fazendo com as minhas?”

Mundial Mazemclubes

14 dez

Quatorze de dezembro de 2010, alguma coisa muda no mundo, pelo menos no do futebol. E, pasmem, a FIFA estava certa. Bola prum lado, bola pro outro. Marcação apertada. Muita correria africana e o Colorado desperdiçando gols. Gol. Um à zero pro Mazembe. Mazembe que já havia participado de duas edições anteriores. Mazembe que correu e correu e correu. Habilidade x garra, o eterno duelo interno do futebol. Mazembe que eliminou o Pachuca. E que agora eliminava o Inter. Dioko Kaluyituka. No ataque, sosinho, ele pedala pra cima do ultimo homem, que nem zagueiro é. Guiñazu olha pra trás, ele sabe o que aconteceu: o fim do sonho do bicampeonato mundial. Gol, do Mazemebe. Talvez seja isso que toda a torcida colorada tenha pensado naquele momento. Já o mundo do futebol soube: a FIFA estava certa. Óbvio. Como não estaria? Como dizer que o Santos levou o título mundial de 1962 se tudo que ele teve pela frente foi o Benfica? Onde estava o time da África ou o da Ásia naquela momento? 92, 93… São Paulo? Por que não o Verdy Kawasaki, campeão da J-League daquele ano? 1999 -Manchester United. 2004…  …Também, quem teve a maldita idéia de tornar coletivo um substantivo que no máximo era composto, e o pior, de dois núcleos apenas?

O fato é: o até então mundial não era Mundial.
E hoje vimos o Mazembe se classificar para a Final.

Não me leve

14 dez

Não parta. É difícil aceitar, que todas pessoas nos partem. Você não me partiu. Você não conseguiria. Seu jeito, seu jeito eu mesma de ser… Eu preciso de mais um pouco. Só você faz isso comigo. Só você faz isso consigo mesma. Só com você consigo ser quem eu quero, quem eu quero conseguir ser. Só você me obriga a ser eu. Sua impulsividade, suas atitudes. Eu vejo, fazem isso. Isso. Fica difícil saber se isso é bom ou ruim. Quando você vai embora. Você vai embora. Foge de si mesma. Não percebe, mas leva também a mim. A melhor parte de mim. Seja você mesma, suspire. Você não precisar ser alguém, que você já não é. Olhe pro mundo lá fora, aquele que não é seu. Não quero ter parte nele tanto quanto você. Prefiro olhar pro seu mundo. Você o construiu. Pra que fugir de si mesma, se vive num mundo que é seu? E eu só tenho vida aí, no seu mundo. Fora dele existo tanto quanto a sua paciência. Explosiva, enigmática. Você é como uma charada: sem solução. Por muitas vezes eu penso que eu sou o único que sabe como resolvê-la. De fato sou. Mas ainda não consegui. Você não quer ser resolvida, eu não quero te resolver. E ficamos nesse impasse. Ao menos concordamos. E às vezes parece que, de uma hora pra outra, a charada está completa, não há mais o que resolver. E quando eu noto…

Não vá embora…

Não parta.

Música: Teorema
Intérprete: Ira!
(Renato Russo)

À Primeira Vista

13 dez

Do primeiro post, a gente nunca sabe.
Do que dizer, do que fazer, do que querer.
É como um primeiro olhar: que julga um rosto.
Não nos representa, mas pode nos interpretar.
Leva consigo mistério, expectativa, introspecção.
Acho que, será que, vai ver só… é assim.
E de nada disso se sabe, antes de chagar ao fim.

Só que o fim não vem.

Em segundos, segundos virão.
E terceiros logo verão,
Do que se sabe afinal, o final…
Só mais um começo.
Qualquer outro começo normal.

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